quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Novo Ministro

Com a substituição do Ministro da Saúde, ocorreu-me o pensamento VI.
É bom reflectir sobre o tema... tenho a sensação que vamos queimando boas ideias, pessoas motivadas, ...
Importa sublinhar que não é só o Sistema de Saúde; o mesmo se pode dizer do Sistema de Educação, Sistema de Justiça, Sistema de Segurança Interna, ...

Pensamento VI

"When placed in the same system, people, however different, tend to produce similar results."

in "The Fifth Discipline", Peter Senge, Currency, 2006 Edition - 'Structure Influences Behavior', Cap. 3, pag. 42 (link para amazon)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Sobre a saúde...

Tenho-me lembrado do pensamento V sempre que vejo notícias da saúde, o que ultimamente...
Planificador central versus o livre arbítrio das pessoas?

Uma nota para dizer que a crítica ao trabalho do Ex-Ministro da Saúde não se focou nas ideias, na reforma, em formas de melhorar ou em alternativas, mas na pessoa, utilizando técnicas básicas como demagogia e populismo. É um sinal claro que mudar não interessa a muitos sectores da sociedade e que tudo vale. Estranho ter visto a Ordem dos Médicos deste lado da barricada... ou talvez não!

Pensamento V

"Há um determinado bar que lhe agrada. Ou melhor, é um bar que agrada a muita gente. O problema reside em que, quando está superlotado, ninguém se diverte. Você tinha previsto ir ao bar na sexta-feira, mas não quer fazê-lo se ele estiver demasiado cheio. O que fazer ?
[...]
Existe, sem dúvida, uma solução fácil para este problema: inventar simplesmente uma espécie de planificador central todo-poderoso, uma espécie de super-porteiro que diga a todos os clientes quando podem entrar no bar. Todas as semanas, o planificador central emitiria a sua decisão, excluindo uns e permitindo a entrada de outros, garantindo assim que o bar estivesse sempre cheio, mas nunca a abarrotar.
[...]
Qualquer solução a ser considerada precisa respeitar o direito às preferências de cada um, o que significa que deve resultar da mistura das escolhas individuais dos potenciais frequentadores do bar.
[...]
Decorrido algum tempo e após cada cliente ter adquirido a experiência neecssária para decidir se voltaria ou não [...], a frequência semanal do grupo estabilizou em menos de 60% da lotação, apenas um pouco abaixo do que conseguiria o planificador central ideal."


in http://coisas-do-marco.blogspot.com/2008/01/livro-recomendo.html

Livro | Recomendo

A Sabedoria das Multidões
James Surowiecki
lua de papel
(link para fnac)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Novo Portugal. Opções de uma geração.

Nasce em Março um novo movimento cívico da geração, que designei, nas pisadas de Camões, "Ínclita Geração" (ver post) - 'Novo Portugal'.
Pretende reflectir sobre Portugal em 7 áreas: Espaço, Recursos, Pessoas, Valores, Conhecimento, Cultura, e Organização.
Fazem parte Eduardo Correia, Fernando Pereira, Francisco Balsemão, Filipe Novais, Maria Carioca e Tiago Macedo.

Aqui vos saudo.

Fonte: Expresso n. 1838 de 19.Jan.2008

Pensamento IV

"[...] Esta força [da integração] faz-se sentir por dois motivos: em primeiro lugar,
porque é já consensual que a eficiência, a eficácia, a qualidade só serão
possíveis através de uma perspectiva integrada de todas as áreas da
organização; em segundo lugar, porque a implementação das tecnologias de
informação obriga a um pensamento horizontal, não-funcional e integrado. A
maior parte das organizações, contudo, continua a viver sob a égide das teorias
clássicas, onde a departamentalização e a especialização funcional eram as
regras base. Embora a integração não seja uma preocupação nova, a teoria
organizacional não conseguiu ainda introduzir nos seus manuais a fórmula para
se atingir aquele objectivo [...]"

in Magalhães, Rodrigo and Tribolet, José. Engenharia Organizacional: Das Partes ao Todo e do Todo às Partes na Dialéctica entre Pessoas e Sistemas. 2006.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Espanha e Portugal

Com mais uma Cimeira Ibérica como pano de fundo, venho concretizar uma promessa de reflectir sobre as diferenças entre estes dois países vizinhos que têm como fado e sorte terem um destino comum, como nos faz compreender a metáfora da Jangada de Pedra, do José Saramago.

Na História mais recente, uma diferença se assume como fundamental: Espanha fez uma transisão entre a ditadura e a democraria que não fez a purga dos quadros do país, que não destruiu o tecido empresarial e a administração pública - esse foi o maior feito do Rei Juan Carlos: ter liderado uma transição que permitiu à Espanha começar um novo período unida e com todas as suas forças.

Em Portugal, pelo contrário, houve vencedores e vencidos (ainda há!). Os que tinham a experiência de gerir empresas e instituições que actuavam em vários mercados e em vários continentes (afinal erámos um império que marcava presença em 3 continentes!) foram dispensados, os instrumentos de criação de valor nacionalizados, o tecido social português, a sua inteligência e experiência foram profundamente danificados (não tivessem regressado os retornados e a coisa teria sido bem pior!). A consequência foi a de que os nossos pais tiveram que assumir o comando do país sem estarem preparados. Tiveram que ser directors, chefes, sub-directores, ministros, secretários de estado, administradores, gerentes, ... e não estavam preparados. Improvisaram. Fizeram o melhor que sabiam face às circunstâncias.

Assim se explica a instabilidade vivida em Portugal e a estabilidade em Espanha bem visível no número de governos e primeiros ministros de cada um dos lados nos últimos 30 anos. Tinhámos um caminho comum e paralelo... guerras que deixaram marcas profundas no início do século XX, ditaduras míopes por demasiado tempo, mudança de regime e a visão conjunta de pertencer a Europa...

A massa critica é que era muito diferente! Os resultados, infelizmente, também!

Fátima Lopes

Empresária Estilista

É capa de revista da Negócio e Franchising de Janeiro/ Fevereiro de 2008 onde dá uma entrevista sobre o seu percurso pessoal e os seus sonhos. Dispensa apresentações. É uma mulher talentosa, determinada e ambiciosa, que ousou sonhar. O seu sonho era o de concretizar os sonhos de outras mulheres... levou a sua arte pelo mundo (e o nome de Portugal!).
A Fátima tem hoje um pequeno império empresarial e persiste em ser diferente.

Links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1tima_Lopes_%28estilista%29

Foi há 18 anos...

Fez está semana 18 anos que entrei para o IST. É um ponto curioso no tempo: 18 anos at (antes do Técnico) e 18 anos dt (depois do Técnico). A partir de agora só piora ;-)

Memórias
Iniciámos em Janeiro devido às greves de Professores (que impediram que as provas de acesso fossem realizadas) em resultado da reforma Roberto Carneiro. O nosso primeiro ano lectivo do Técnico foi de Janeio de 1990 a Agosto de 1990 (sem parar!) em vez do tradicional Setembro de 1989 a Julho de 1990.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Madeira | Vanguarda | Interacção Homem-Máquina

O Expresso de 12.Jan.08 (Edição 1837) publica um interessante artigo: "Humanizar o design do software" sobre o subtitulo "Tendências".

Consiste num Mestrado em Human-Computer Interaction que resulta de uma parceria entre a Universidade da Madeira (www.uma.pt) e a Universidade de Carnegie Mellon (www.cmu.edu) * Pittsburgo * Estados Unidos.

Sigam o link http://mhci.dme.uma.pt/

Aeroporto

(não sei se novo!? talvez já seja velho!)

Os últimos 20 anos deste processo (e talvez as décadas anteriores) não me cheiram bem...
Dá a ideia que se quer fazer um aeroporto à pressa mas nada se faz. Ou seja, na verdade o que fica demostrado é que ninguém queria mesmo fazer o aeroporto.

Com a decisão (preliminar!?) de Alcochete, este objectivo fica mais uma vez conseguido. E cada anúncio alimenta a especulação e (quiça) alguns possam fazer algumas mais valias em poucos dias...

A discussão tem estado centrada em alternativas à Portela... acho que o ponto de partida deveria ser diferente... sem excluir alternativas (ou complementos) à Portela.

Neste contexto, há uma pergunta que ainda não tem resposta satisfatória:
- Quais são as verdadeiras potencialidades dos terrenos da Portela, no que à infra-estrutura aeroportuária diz respeito, e o que se pode fazer para que a Portela tenha apenas a componente de aeroporto (e.g. sem força aérea, manutenção) ?
João Soares, antigo presidente da CM-Lisboa, tem dado a cara por está alternativa.

Uma certeza existe: o método e as motivações seguidas (e.g. UE não ia gostar de uma alternativa na margem sul do Tejo!?) não são os mais recomendados para um investimento desta dimensão, com está importância para o país e que delega responsabilidades nas gerações futuras (leia-se dívidas!) - aqui, não é um partido que está em causa; é uma geração de políticos!

A origem é a mesma: uma sociedade que tem funcionado nos últimos 30 anos em 'single loop' (no sentido de Argyris) e em que as estratégias são defensivas -não há visão do país para além do mandato de cada pessoa ("eu não sei se vou estar aqui daqui a 3 anos, por isso..." é das frases que mais se houve, infelizmente, nas reuniões com as pessoas que estão a gerir o país - e nos privados não é diferente!)

Miguel Setas

Culto, inteligente, cultiva uma excelente atitude. É pai e pratica desporto.
Engenheiro em Física Tecnológica pelo IST e MBA da UNL.
Passou pelo INESC, McKinsey, Gás de Portugal, Galp, CP.
Ao presente, é administrador da EDP Comercial.

Entrevista à Meios & Publicidade:
http://www.meiosepublicidade.pt/2007/04/20/_A_EDP_pretende_ter_uma_comunica/

EXPRESSO, Edição 1809 de 30.06.2007 (http://aeiou.expresso.pt/)
"Nomes que não deve esquecer"

Ainda sobre Bali...

Vale a pena relembrar o filme do prémio Nobel da Paz, Al Gore... gostei: tem o tom de urgência que deveria ter! e as notas de esperança e da oportunidade que temos diante de nós.

É um excelente 'estado da arte' da 'crise do clima'.
Vale a pena ver, rever e divulgar.

Filme: An Inconvenient Truth (Uma Verdade Inconveniente) - http://www.imdb.com/title/tt0497116/

Site: http://www.climatecrises.net/

sábado, 5 de janeiro de 2008

Moral da Europa (ou da história)

A propósito do 'magríssimo'* acordo de Bali (mas mais vale este do que nenhum... eu sou optimista e evolucionista ;-) fiquei a reflectir sobre o papel da Europa (leia-se União Europeia) no mundo... (Balie e... também o Kosovo, Bélgica, País Basco, tratado de Lisboa e o seu anexo, relação com a China, Rússa, Israel/Palestina, America Latina, ...)

Tenho para comigo que o nosso único diferenciador são os valores. Metaforicamente falando, já estrámos na terceira idade, somos ponderados e reflectivos e, sobretudo, já vivemos muita coisa.

Vivemos ditaduras, monarquias, repúblicas, guerras, revoluções, contra-revoluções, libertinagem, liberdade, genocídios, crimes de todas as naturezas, separámos e juntámos estados, dividimos e pais e filhos, conquistámos, matámos, reflectimos, fizemos ciência, novas descobertas, fomos além mar, berço de civilização, tivemos e ainda temos terrorismo, muitos regimes frágeis, abolimos pena de morte, defendemos a vida e os direitos do Homem, ...

Ou seja, já fomos, ao longo da história, tudo de bom e de mau, que vemos ou apontámos nos outros. É essa a nossa autoridade! Não a de quem prega impoluto, mas a de quem prega com cicaterizes e feridas, muitas delas muito dolorosas. A nossa história (não tanto a explícita, mas a tácita, a sentida!)!

Sem falsos moralismos e com toda a moral da nossa História, devemos apregoar e fazer valer os nossos valores. Bali foi apenas um ténue exercício deste novo enunciado estratégico. E é por isso que foi pena o ANEXO (do tratado de Lisboa), a falta de comparência do Reino Unido na Cimeira UE/Africa. E é por isso que devemos ter relações com todos os Estados do Mundo, independente do seu regime - relações de estado, leia-se, onde o nosso posicionamento (o dos valores) deverá ser SEMPRE bem conhecido. E é por isso que devemos deixar bem claro aos nossos parceiros e/ou amigos qual o nosso posicionamento sobre as suas posições sobre o Ambiente (e as alterações climáticas), dos direitos do Homem, da democracia, como são os casos dos USA, China e Rússia. E é por isso que estamos em África e não queremos (podemos!) 'fazer negócio' com os Africanos. E é por isso...

Não é uma estratégia de curto-prazo, mas é a estratégia de afirmação da Europa como uma potência mundial de longo-prazo (a reboque desta questão terá que vir a defesa comum - é incontornável!).

Não para sermos farol de coisa alguma, tão só para a nossa sobrevivência e dos nossos valores.

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(*) Sobre a utilização desta polémica palavra consultar http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=5198.

O Último Romântico (prodigiosa canção)

http://www.youtube.com/watch?v=iJtJVOBI6WE

Interpretação: Caetano Veloso (http://pt.wikipedia.org/wiki/Caetano_veloso)
Letra: Lulu Santos et al (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lulu_Santos)
- http://letras.terra.com.br/lulu-santos/47141/

Nota:
Ainda sobre dicotomias (neste caso, fim delas!) o verso inicial diz tudo "Faltava abandonar a velha escola".

A reflexão da sociedade americana...

Já não ia ao cinema a algum tempo... fui ver "Peões em Jogo" ("Lions for the Lambs" - nome em estrangeiro tem muito mais força simbólica) de Robert Redford. Bom filme. 2 razões chegam:
- Pelo lado cinéfilo, um filme de conteúdo, com um excelente argumento e um grande trabalho de autores.
- Pelo conteúdo, mostrando que a sociedade americana já começou o processo colectivo de reflexão, digerindo o 11.Set, Afeganistão, Iraque, imprensa, política, erros, história, Vietname...

É um filme marcado pela dicotomia Republicano/ Liberal e pelas históricas eleições deste ano (acho que mais de metade do mundo assim desejam... vamos ver se o Americanos também) - concerteza nem tudo terá sido correcto, nem tudo errado, ... mas isso são contas de outro rosário (um dia destes falo desta mania ocidental de dividir tudo ao meio: e.g. mente/ corpo).

As contradições desta sociedade são a sua maior força, como mostra o processo profundo de reflexão... metaforicamente, estão na segunda idade, a caminho dos 'entas'*; e o primeiro capítulo das eleições já se fechou...

(*) Desenvolvi esta metáfora na minha primeira visita ao Brasil. Um dia destes volto ao tema.

Filme: http://www.imdb.com/title/tt0891527/
Eleições: http://www.msnbc.msn.com/id/21660914/ (para não ser sempre os mesmos ;-)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Para os meus amigos economistas... (não resisti)

"We once had a group of economics graduate students model the standing ovation. Not one of them allowed the possibility of people attending the theater with acquaintances. We hope this is more a reflection of how economists are trained than of how they live."

in J.H. Miller, S. E. Page, Complex Adaptive Systems, Princeton, 2007
(http://www.amazon.com/Complex-Adaptive-Systems-Introduction-Computational/dp/0691127026)

100 USD

Segundo os mais diversos analistas é oficial: já entrámos numa nova era... a do petróleo acima dos 100 USD...

Já alguém olhou para os preços dos cereais ?
Repararam que os aumentos previstos para o pão chegam a 30% em alguns casos ?

Na Roma antiga, tudo se fazia para que não faltasse cereais... era problema pela certa!
Será que se avizinha uma nova era ?