domingo, 16 de março de 2008

Porque os sindicatos devem estar preocupados...

Os sindicatos tem andado muito contentes com a contestação ao Governo nas ruas e com os números... acham que é uma grande oportunidade para se mostrarem e dizerem que estão vivos.

Tenho para comigo que é exactamente ao contrário. A malta está a vir para a rua pois está a ver que os sindicatos já não as representam! Já não tem credibilidade! A sua mensagem é a mesma há quase um século!

As pessoas começam a achar que se não forem elas a defender os seus interesses ninguém o fará e muito menos os sindicatos.

Se eu estivesse no lugar dos sindicatos estava muito preocupado, MESMO muito preocupado!

Visto pelo lado de Portugal, os sinais podem ser bem mais interessantes:
- a consciência individual existe e está a perceber que quando se junta, a soma é maior que as partes
- evidencia a crise dos meios tradicionais de representação e a necessidade de uma grande reflexão

sábado, 8 de março de 2008

Continuando a discutir Portugal...

Nesta semana, o Expresso (Edição 1845) publicou os restantes 4 textos do movimento "Novo Portugal":

* [Pessoas]
Querendo ter um Portugal novo para poder ser de um ‘Novo Portugal’, Orlando Monteiro, Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, coordenador do Grupo Pessoas
* Espaço: desafios comuns, Guilherme Almeida, Vereador da Câmara Municipal de Viseu, Coordenador do Grupo Espaço
* Recursos - Melhor antes de mais, Maria João Carioca, Economista e gestora, Coordenadora do Grupo Recursos
* Cultura: o maior bem, Fernanda Maio, Professora da ESAD.CR, Coordenadora do Grupo Cultura

Faço eco de uma outra iniciativa, o Movimento Esperança Portugal (MEP) - http://www.mep.pt/, Rui Marques, que se apresenta como um novo partido da esperança, cavalgando a onda dos Estados Unidos e de Obama - o candidato da esperança. Podem ver a estrevista de hoje na Antena 1 a Maria Flor Pedroso em http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?prog=1010.

Do MEP, ainda conheço e se vê pouco...
Do "novo Portugal" continuo com a sensação de 'velho' com 'roupa nova' embora tenha apreciado o texto para o grupo "pessoas" e o do "conhecimento".
Aguardemos pelos ecos da discussão e os resultados para uma apreciação mais definitiva, mas diria que, embora as pessoas sejam o centro, os valores e os paradigmas são os mesmos.
É aqui que começamos a divergir.

Continuação de:
http://coisas-do-marco.blogspot.com/2008/03/as-minhas-primeiras-impresses.html

As dores de uma sociedade em mudança...

Num artigo de Março de 2008 da fantástica revista Courrier Internacional (que desde Janeiro de 2008 passou a ser mensal e no formato de revista) intitulado "por que razão o 'big brother' é mau colega de trabalho" apresenta-se um estudo realizado pela LSE para o Conselho de Investigação Económica e Social do Governo Britânico que indica que 52% dos assalariados britânicos estão sujeitos a vigilância informática e tenta analisar as consequência disso.

Num outro artigo, desta feita na edição de Fevereiro de 2008 intitulado "ganhar menos para viver melhor" referindo-se a uma tendência que está a fazer muitos adeptos na Austrália e Nova Zelândia da designada downshifters (simplicidade voluntária) que apresenta um modo de vida que recusa o consumo, menos poluente e que tem uma componente sobre o trabalho, com menos stress e até menos tempo de trabalho, não se importando de ganhar menos para ter mais qualidade de vida.

Para além de fazer justiça ao Courrier, não posso deixar de olhar para estes dois exemplos como sinais de uma sociedade que se transforma a medida que se torna cada vez mais digitalizada. Nós ainda não começamos a perceber as consequências, mas é momento de começarmos a darmos atenção.

Uma outra observação (um corolário da anterior) é a mudança do trabalho e dos trabalhadores.

Novos valores parecem estar a emergir!

Crimes isolados ou sintomas de maleitas maiores ?

Estou apreensivo! Só para citar algumas:
Fui surpreendido no Natal com as mortes de pessoas baleadas por outras que festejavam com armas de fogo!
Os crimes do Porto e outros tantos ao longo dos últimos anos que mostram uma criminalidade organizada com apontamentos de mafia.
As recentes mortes, despropositadas e completamente incompreensíveis!

É certo que desde há muito que os crimes diminuem em Portugal e que não nos vejo, nem sinto que sejámos uma sociedade violenta. Como alguém dizia ou escrevia, numa sociedade que está a ficar menos violenta, nota-se mais os crimes... talvez... mas lembrei-me do Pensamento IX (http://coisas-do-marco.blogspot.com/2008/03/pensamento-ix.html)...

Há algo que vem mudando, lentamente e lá no fundo... algo que não parece estar relacionado com nada e que, lá por detrás é uma rede complexa de ligações... há pouco tempo um estudo de uma instituição (terá sido da SEDES ?) vinha dizer, cuidado, podemos estar à beira de problemas sociais graves... vejo com apreensão os fenómenos de marginalização nas zonas metropolitanas... vejo com apreensão o crescimento do desemprego, vejo com apreensão a pobreza... a exclusão... o aumento dos cereais e dos bens relacionados... o aumento da carga fiscal... o desalinhamento da justiça em relação à vida das pessoas... a frustação das pessoas...

Não me parece que os crimes estejam a aumentar ou a sociedade Portuguesa a se tornar mais violenta... são apenas manifestações, que parecem isoladas, do tal algo... não sei explicar...

... é como se o país já não conseguisse encontrar soluções para as pessoas, ou que elas já não vêm que o país lhe consiga dar respostas...

... estaremos a deixar de sonhar ?

Diogo Salvi

Empresário | Gestor

A Visão de 6.Mar dedica a sessão de Economia * Empreendedor a ele e a sua empresa, TIM w.e. , a propósito da abertura do seu 22º escritório, desta feita na Arábia Saudita.
Vale a pena acompanhar este percurso, que pode inspirar muitos outros negócios de base digital.

KPI - Percentagem das pessoas que trabalham ou trabalharam e que foram avaliadas por sistemas de avaliação adequados

Nestas últimas semanas, tenho dado comigo a pensar que não consigo deixar de apoiar a Ministra da Educação, mesmo podendo reconhecer que os professores podem ter razão aqui e ali. Não sendo um apoiante deste Governo e não tendo outra razão para apoiar a Ministra que não seja a da minha consciência, fiquei inquieto com este pensamento recorrente que me tem deixado a reflectir.

Acho que já descortinei a razão: vivemos numa sociedade que não sabe errar, logo tem dificuldade em aprender, logo tem dificuldade em pensar, logo tem medo, muito medo!

Na escola os professores não sabem lidar com os erros das crianças: estas são castigadas por que cometem erros em vez de serem ensinadas a aprender com os erros. Aprendemos também que o professor é que está correcto e não há espaço para a reflexão, para colocar em causa a visão/ opinião do professor.

Não admira que as avaliações sejam um problema! Elas são vistas como um fim, um castigo, uma penalização. O medo passa a ser natural e o comportamento defensivo o seu principal escudo!

Nos bons sistemas de avaliações, as avaliações são o início e não o fim; servem para nos ajudar a encontrar os pontos em que somos bons, mesmo bons! e os pontos em que nem por isso. Servem para reflectirmos sobre as nossas acções, a nossa satisfação, a nossa motivação, servem para nos confrontarmos connosco próprios, tendo mais consciência do que somos.

A avaliação é o início do período seguinte, aquele período em que vamos ter hipótese de experimentar novas estratégias que resultam da aprendizagem que fizemos nos períodos anteriores.

Não deixa de ser interessante de analisar que são os professores a se oporem a um sistema de avaliação que crie oportunidades! O loop fecha-se, quando as crianças educadas neste sistema, se transformam em país e professores que educam!

Neste contexto quanto mais pessoas activas ou que já estejam reformadas tiverem sido sujeitas a sistemas de avaliação adequados, que fomentam a aprendizagem, a reflexão e não são o fim, mas o ponto de partida, maior será o desenvolvimento da respectiva comunidade.

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Outros KPI focados:
KPI - Percentagem das pessoas que teve de lidar com um empreiteiro do sector da construção civil e que tem razões de queixa

KPI - Percentagem dos casais em que foi o homem (pai) que trocou a vida profissional pela vida familiar

Pensamento IX

"Meladaptation to gradually building threats to survival is so pervasive in systems studies of corporate failure that it has given rise to the parable oh the 'boiled frog' (...) Learning to see slow, gradual process requires slowing down our frenetic pace and paying attention to the subtle as well as the dramatic."

Peter Senge, The Fith Discipline (pag. 22-23)

'Boiled Frog': http://en.wikipedia.org/wiki/Boiled_frog

Sofia Carvalho

Directora da SIC Mulher

Lançou um canal diferente na televisão que tem sabido manter a qualidade.
Inteligente, usa a sua imagem para promover causas e apoiar a sociedade, como usar o "Querido mudei a casa!" para apoio a instituições sociais.

domingo, 2 de março de 2008

As minhas primeiras impressões...

O mérito de todas estas iniciativas é a de tentar colocar no centro do debate o nosso País e o seu futuro: o que verdadeiramente me interessa (o ruído das política contemporânea diz-me pouco!).

Para mim há um valor adicional, permite-me discutir, reflectir em conjunto, em vez de o fazer sozinho (é difícil encontrar interloctores para estes temas! sou eu que frequento os sítio errados :-(.

Algumas são conceitos que chamo de 'casca', i.e., não transpostam necessariamente um conteúdo; podem ser interessantes para mudar a imagem que exista de Portugal ou para assinalar determinados factos/ circunstâncias... mas o seu valor é localizado. É o caso da 'Europe's West Coast' e 'País confortável'.

Outras transportam um enunciado de potenciar os recursos naturais existentes como o mar e o sol. Já são propostas de conteúdo. Trazem consigo a criação de conhecimento através do potenciar recursos naturais. Diria que são as clássicas para os modelos clássicos de economia e produção. Têm um problema, o esgotar dos recursos (e.g. o Algarve pode ser um bom exemplo, infelizmente não o único; veremos o que vamos ter em Alqueva e na Costa Alentejana).

A do 'país de testes' tem uma diferença muito importante: fundamenta-se no capital humano; nos veículos do conhecimento e na sua capacidade para gerar novo conhecimento. Sabe a pouco, mas a direcção parece-me boa.

Daqui resulta que teremos que encontrar enunciados que tenham um conceito, que potenciem os nossos recursos (de forma a continuarem a existir!) e cujo pilar central seja a continuada criação de conhecimento a partir de todo o capital humano, cultural, social e histórico que se reúne sobre o nome Portugal.

Por último o 'novo Portugal' que querer reflectir Portugal em 7 áreas: Espaço, Recursos, Pessoas, Valores, Conhecimento, Cultura, e Organização.; reporto-me aos 3 textos conhecidos: Valores, Conhecimento e Organização. Tem uma ideia consolidada: que somos a geração da eficiência e da eficâcia, i.e., o nosso desafio. Tem o grande mérito de lançar a discussão (como este próprio post ilustra). Mas... soube-me a pouco. Fiquei com a ideia de ser o 'velho' com a roupa 'nova'; senti muito de Talcott Parsons e Katz e Kahn, Herbert Simon, Chandler... pouco de Mintzberg, Ghoshal, Bartlett, Giddens, Maturana, Guedes, Argyris, Nonaka, ...
(Ver Pensamentos, em particular o VIII).

Vamos esperar pelos próximos e pelos resultados para uma ideia mais definitiva.

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Na sequência de:
http://coisas-do-marco.blogspot.com/2008/03/discutindo-portugal.html
http://coisas-do-marco.blogspot.com/2008/01/novo-portugal-opes-de-uma-gerao.html

Discutindo Portugal...

Já aqui fiz referência a um novo movimento da sociedade civil intitulado "Novo Portugal" (http://coisas-do-marco.blogspot.com/2008/01/novo-portugal-opes-de-uma-gerao.html). O Expresso (Edição 1844) começou a publicar os textos que serviram de base a discussão, neste caso os primeiros 3 textos de 7 (um por cada área):
* Valores: a cidadania adormecida, Paulo Duarte Teixeira, Juiz de Direito e Coordenador do Grupo Valores
* Organizar Portugal, Eduardo Correia, Professor da IBS - ISCTE Business School e Coordenador do Grupo Organização
* Conhecimento: 2028, Gustavo Cardoso, Professor e Investigador do ISCTE e Coordenador do Grupo Conhecimento

Ao longo dos últimos meses várias tem sido as propostas para transformar Portugal... o debate está muito acesso, em parte devido ao facto de a BBDO ter conseguido que o governo de Sócrates tenha feito a campanha que o governo de Barosso não fez! Em http://ipamlae.blogspot.com/2007/12/marca-portugal.html podemos encontrar um resumo dessas ideias, resumidas pelo Sérgio Henrique Santos Director de Planeamento Estratégico da Lowe Lisboa:

-Prof. Ernâni Lopes com o seu "cluster da economia do mar" e a reinvenção do turismo português como a "Flórida dos Estados Unidos da Europa".

- Pedro Bidarra da BBDO e o conceito "Europe´s West Coast", como forma de dissociar Portugal
das conotações negativas e ideias-feitas que normalmente os "Países do Sul" têm.

- Henrique Agostinho da Consumering e a ideia de apostar num "comércio do conforto". Exportar a nossa qualidade de vida, posicionando Portugal como um "País confortável" no meio das associações imediatas que outros países despertam na nossa cabeça, como por ex: França = luxo e qualidade de vida; Escócia = robustez; Alemanha = engenharia e fiabilidade; Itália = estilo e design; Espanha = espírito de conquista, comércio e cultura; América = liberdade, iniciativa e oportunidade.

- Tomás Froes da MSTF Partners e a ideia de posicionar Portugal como um "Test Country". Dada a natureza curiosa dos portugueses e a apetência por novidades, Portugal poderia posicionar-se como uma boa base para testar novidades. Não só tecnológicas, mas também a nível de outras categorias de produtos e serviços (a McDonald's, a título de exemplo, utiliza o mercado português como balão de ensaio de alguns dos seu produtos).

Vanessa Fernandes

Desportista | Triatlo | Personalidade 2007

Aos 22 anos recebe o prémio de Personalidade do Ano de 2007 e é hoje um dos símbolos de uma geração que procura novas saídas.

Estaremos todos em Pequim apoiando e vamos continuar a apoiar independentemente de Pequim.

Site: http://www.vanessafernandes.net/

Tomás Froes

Empreendedor | Gestor | 'Criativo'

Sócio fundador da agência MSTF Partners, agência que tem trabalhado algumas das campanhas mais 'faladas' do presente (e.g. Mourinho no BPI e Gatos na PT).

Num ensaio da revista Exame com o curioso nome de "Prefiro Mudar o País do que Mudar de País"
defende a ideia de posicionar Portugal como um "Test Country".