segunda-feira, 7 de março de 2011

Protesto de 12.Março

Nas últimas semanas tem-me chegado vários ecos deste fantástico grito do ipiranga da nova geração, o grito da sua emancipação.

Em conjunto com alguns amigos, temos reflectido sobre os significados, pressupostos e consequências deste 'grito'. Este post é uma síntese dessa reflexão e, também, um 'movement' (a lá green hat do edward de bono).

Na reflexão, vou utilizar o framework disponibilizado pelo MOVIMENTO manifesto.

O 'grito' surge na sequência de um choque de valores entre os tradicionais (Expansão , Competição, Quantitativo, Dominação) e os que emergem (Conservação, Cooperação, Qualitativo, Parceria). Quer ao nível individual, quer ao nível colectivo, ainda não sabemos balancear bem os conjuntos de valores. Claramente a geração dos avós, usou os tradicionais; a dos país já um hibrido, mas de forma inconsciente, o que a maior parte das vezes se traduzia em incomodo, sensação que algo não estava bem... falta de sincronismo (a este proposito vale a pena ver o TED do Steven Strogatz)!

Este protesto mostra que os novos valores estão em cima da mesa e que a nova geração manipula bem os novos instrumentos: usou a mediação tecnológica (telemóvel com os sms, emails, www, ... as redes sociais e as suas tools como o facebook, blogs, ...) para juntar/ federar os individuos, fazendo a partilha de informação que possibilida a cada um dos individuos fazer o sensemaking e a respetiva 'computação' - computação cognitiva humana. Os instrumentos utilizados (e.g. manifesto) e o seu conteúdo, mostram uma ética, bem como a forma como a reflexão se esta a fazer, mediada pela tecnologia numa base ética subjacente, que regula o que vai para o digital (internet), é computado na internet e volta aos individuos, já amplificado.

Este é o mecanismo das MOBs. A este propósito vale a pena ver os TEDs do Clay Shirky.

Neste contexto sou particularmente sensível ao 'grito' e vejo com uma emancipação desta geração.
Sinto os valores subjacentes (cooperação, parceria, qualitativo) e os instrumentos que utilizaram (mediação tecnologica, computação cognitiva humana), mostrando que o 'novo' (e.g. facebook) é integrado com o 'menos novo' (e.g. manifesto).
Gosto desta energia!

Dois pontos me parecem merecer mais atenção/ reflexão. Digamos que é o ponto de oportunidade para aprofundar a reflexão.

O conteúdo e a forma de protesto.

O conteúdo, que simplifico dizendo "por favor, deixem-nos entrar no sistema", mostra falta de sincronismo, mostra que a forma de pensar é muito Racional, Análica, reducionista, Linear. Vale a pena perceber como pode o pensamento Intuitivo, Síntetico, Holístico e Não linear ser colocado ao serviço desta causa, mudando o paradigma para "que excelente oportunidade! que fantastica energia! nos podemos mudar o sistema! e as ideias são: - "!

Ainda uma nota sobre o 'papão' dos cérebros protugueses que saiem do país: "como podemos ter uma diaspora que seja portuguesa se não vemos que saiam portugueses e que vão trabalhar para os outros países, que constituam familias lá e vivam lá ? Como teriamos o António Damásio ? Como poderia a Ydreams entrar no mercado Americano ? Como poderia São Paulo ser dominado pelas padarias de portugueses ?"

Acho que há duas linhas de pensamento que devemos equacionar e, não ter medo:
- como ganhamos todos, individualmente e colectivamente, com os portugues que estão a sair, que já sairam, e que vão continuar a sair ?
- como chamamos outros, portugueses ou não, para se juntar a nós, partilhar este sol, povo, comida, ... e ajudar a criar novo conhecimento e com ele novas oportunidades ?
- é de rede que falamos e nesse sentido, em ambas as direcções construimos novas redes.

A forma de protesto é muito tradicionalista, a fazer lembrar outros 'manifestos' e outras 'amanhãs que cantam' e pouco 'lateral thinking'; mostra que há trabalho a fazer na forma de pensar e que o pensamento inovador e criativo ainda não esta dissemidado pela geração. Porque não uma mob na praça do comercio, ou uma guerra de almofadas ?

Dito isto, gosto desta energia e tudo o que ela significa. Estamos em evolução, a tensão de valores já é evidente. É tempo da acção, da acção que fará emergir os novos valores.

Porque não, no dia 12.Março, colocar um ecrã gigante na praçado comercio e fazer uma sessão colectiva de TEDs, ou de visionamento do filme 'Como Treinar o teu Dragão', fazendo ao mesmo tempo uma reflecão nas redes sociais (twitter, facebbok, ...) do que quer dizer 'Hiccup se sentir viking, mas não ver matar dragões como solução' e 'o pai dele não o ver como um viking' e 'o Hiccup achar que que o conhecimento que os Vikings tem dos dragões está imcompleto', ...

Vejo este protesto como os amigos do Hiccup; sabem que ele é diferente, mas não percebem o que ele esta a fazer, mas, com o devido contexto, são os primeiros a aderir e a compreender a mudança de modelos e perspectivas.

Não é tarde para uma nova marca geracional a 12 de Março!


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