quarta-feira, 23 de maio de 2012

déjà vu

Nas últimas duas semanas tenho tido um sentimento de déjà vu.

No yoga do riso - basicamente trabalhar um conjunto de músculos e mecanismos cerebrais utilizando o riso - é  usada uma técnica: rir sem vontade, para induzir um riso com vontade, genuíno. Rimos sem vontade e ao fim de um certo tempo, depois de nos 'libertarmos' já estamos a rir genuinamente, com o 'todo eu'.

Durante a década de noventa era TQM (total quality management) por todo o lado e ISO para todo o lado. A maneira de fazer as coisas com qualidade era introduzir uns papeis e um gabinete de controlo da qualidade e umas auditorias que certificavam papel (e não a qualidade da coisa produzida ou realizada). O processo de certificação e a certificação propriamente dita não eram um meio, eram um fim. A malta fazia isto não porque queria mudar o modelo mental de como se servia, em focar a nossa atenção no cliente e no que ele quer, mas sim como uma maneira de o 'enganar', de dizer que temos uma coisa que não temos. A intencionalidade do desenhador é que através de uma 'gargalhada sem vontade' (certificação e o seu processo) se conseguisse chegar a gargalhada genuína (pratica focada no cliente e em servir bem). No global, algumas melhorias teve, a questão deste modelo organizacional é que os seus pressupostos não estavam correctos para o tempo que vivíamos: nós não queríamos fazer melhor o que estávamos a fazer, nos queríamos era fazer diferente (e.g. serviços públicos).

O que tem acontecido nas últimas semanas é que tenho ouvido muito empreendedores e todos eles muito orgulhosos porque tem feito x centenas de inquéritos a "clientes" e que bla, bla, bla... estão a aplicar o 'lean startup' e a coisa vai ser espetacular. Faço algumas perguntas ?
- Falaste em cliente, quantas pessoas já te compraram o teu produto ? Resposta; nenhuma, estava a sondar o mercado.
- Com quantas pessoas falaste mesmo, ao vivo ? Resposta: nenhuma (ou muito poucas); foi por email (ou facebook, ou ...)

Há um ponto aqui que me esta a escapar. Este não é um fim, é um meio. 'Um meio' para quê ? Para estabelecer conversas reais, profundas com as pessoas que tem os problemas que nós queremos resolver. Ouvir. Ouvir com todo o meu ser. Ouvir com a cabeça, com o coração. Um ouvir empático. Um ouvir que se liga ao outro. É deste 'ouvir' que vem as 'intuições' ao fim de muita conversa com muita gente (centenas para começar).

O inquérito, no início do processo, é um 'ice-breaker' para se iniciar a conversa e o processo de ouvir. O que se quer é conhecer, conhecer tacitamente, com todo o meu eu.

Quando começo a conhecer, posso usar a técnica dos inquéritos para validar pressupostos e perceber a cobertura da coisa. São focados e construídos a pensar num determinado conhecimento.

A malta começa a rir sem vontade (usar o inquérito), como meio (sair da sua zona de conforto, criar ligação ao outro, facilitar a relação), para a gargalhada genuína (conversas com as pessoas que tem os problemas e que podem vir a ser os nossos futuros clientes - o que falta de 'conversar' até serem 'clientes'?) .

É das conversas genuínas, onde se ouve de uma maneira empática, interessada, ligada ao outro, que resultam as soluções (as hipóteses que querem ser testadas). O segredo está na conversa. Já passaram mais de dez anos desde o CLUETRAIN MANIFESTO mas ainda continuamos a seguir o mesmo modelo do TQM e a confundir o meio com o fim. Mania a nossa de não termos conforto quando não estamos a seguir uma receita - felizmente emergem novos modelos de liderança para nos ajudar a fazer sentido disto: Teoria U.

O Galito um restaurante alentejano em Lisboa editou um livro de cozinha com as receitas da D. Maria Gertrudes, a cozinheira. Neste livro não havia uma única quantidade. A razão é simples, a D. Maria nunca tinha medido nem sabia medir. A coisa acontecia, vinha das muitas horas de 'ouvir' a 'conversa' que os condimentos tinham uns com os outros, num determinado tempo. É o conhecimento que vem de fazer com paixão com dedicação ou ouvindo a boca de quem come. O livro é apenas um referencial. Cada um terá que ser o seu cozinheiro e experimentar muitas vezes até conseguir apurar a sua 'carne de porco no alguidar'. O verdadeiro ensinamento vem da acção de todos aqueles que colocam muitas horas  na procura da boa relação, do bom equilibrio, que seguem os seus instintos e que os vão treinando.

É uma excelente metáfora para o que tenho visto. O lean startup tem que ser visto como o livro de receitas da d. Maria, isto no contexto do método. A ligação ao outro (e.g. cliente) tem que ser feita no espírito do CLUETRAIN MANIFESTO. A liderança da equipa com a Teoria U ('presencing theory') em vista.  E eu tenho que aprofundar a minha inteligência emocional para perceber porque fujo das conversas empáticas com o outro atrás dos inquéritos (digo eu, mal construídos). No final, faço como faria com o livro da D. Maria na mão. Vou a jogo e decido pela minha cabeça.










sábado, 5 de maio de 2012

Manifesto empreendedor


Empreendedorismo é viver, é abraçar a vida com a vida que 'recebemos'. É aprender a andar, a falar, a amar, ... é viver a vida, vivendo (presente) com a incerteza da vida: qual o momento (futuro) em que acaba a vida ? É esta incerteza, a incerteza fundadora da vida e do acto de empreender. Quando a incorporamos no presente, vivemos, tiramos de cada momento todo o colorido da vida. Aprendemos. Motivamo-nos. Superamo-nos. Somos UM e TODOS.

Assim, empreendedorismo é um método, uma forma de lidar com a incerteza, de construir o futuro.

Empreendedor é a pessoa que aceita construir o seu futuro, que não delega esta construção em ninguém. Como diz o João Sem Medo, quando escolhe o "caminho da infelicidade", nas "Aventuras do João Sem Medo" do José Gomes Ferreira, "Mas juro que não hei-de ser infeliz PORQUE NÃO QUERO."

O principal trabalho que temos pela frente é ajudar cada pessoa a lidar consigo e com as concepções do mundo - modelos mentais. É um desafio de crescimento pessoal, de crescimento interior, de desenvolvimento pessoal. Gonçalo Eiró numa das ONE talks sublinhava o facto de sermos adultos que operam com tácticas infantis, referindo-se ao facto de cada um de nós não se conhecer a si próprio e como construiu a sua personalidade.

O crescimento interior liga-nos ao outro. Faz-nos perceber o nosso lugar na ecologia humana e planetária. Dá um sentido ao TODO e ao UM. Mostra que sou maior quando maior for a minha ligação ao OUTRO. Sozinho estou 'apagado'. Com o OUTRO acendo-me, transcendo-me. A construção individual transforma-se em construção colectiva.

Assim todos podemos escolher ser empreendedores e uma sociedade de empreendedores é uma sociedade livre. É uma sociedade que escolheu ser feliz.

Não posso deixar de tirar a consequência política: o mundo muda quando cada um de nós escolher ser feliz, sabendo que não esta sozinho nesta escolha e que será maior porque esta ligado ao outro. Neste contexto não precisamos que ninguém, mesmo um governo, faça nada por nós. Nós, cada um de nós, podemos fazer tudo o que há por fazer.

Da natureza do sistema democrático

Importa saber do nosso sistema democrático que ele esta desenhado para se preservar, para se defender, para evitar alterações que mudem a sua natureza.

Este comportamento é assim por desenho, i.e., foi intenção de quem o desenhou. E sublinho que foi rectificado democraticamente, i.e., com o voto de todos.

Daqui resulta que o sistema faz o que é suposto fazer: preservar-se.

A motivação é fácil de entender. O sistema foi desenhado com a queda de um sistema totalitário que nos privava de liberdade, que nos moldava o pensamento e as formas de pensar. Nenhum de nós quer que seja possível voltar a ter sistemas destes, e todos nós concordamos em desenhar um sistema que não deixasse o totalitarismo ganhar de novo força.

A ironia é que por desenho, acabamos por ter um totalitarismo. Precisamos mudar este sistema para novas respostas para fazer evoluir e o sistema protege-se.

Não é uma propriedade do nosso sistema. É uma propriedade de qualquer sistema de poder. Preservar-se. Logo todos os sistemas democráticos do presente, muitos dos quais a braços com grandes desafios, estão bloqueados neste 'dead lock' (por desenho) como dizem o engenheiros informáticos.

A saída que tem sido usada até ao presente é a revolução, na maioria dos casos armada: excluir, dividir (vencidos e vencedores, mesmo que pai e filho). Uma pergunta surge: como podemos fazer diferente ?

O sistema que temos foi desenhado utilizando a epistomologia do positivismo e o método reducionista, logo esgotamos as soluções neste quadro epistemologico.  O sistema não tem consciência de si (macro). A consicência é individual (micro). Um das características fundamentais deste quadro é que a informação esta aprisionada na hierarquia de saberes (e de organizações), logo não é variável de desenho organizacional. Devemos utilizar uma nova epistomologia (construtivismo) e um novo método (sistémico). No novo quadro, libertamos a informação, esta passa a modelar o desenho das organizações fazendo emergir novas ecologias da acção (do micro para o macro e vice-versa). Construimos um sistema em que a consciência colectiva altera o desenho do sistema. Eis dois exemplos:

- Fazer com que todas as decisões nos partidos sejam tomadas por voto democratico secreto, em particular a nomeação das pessoas que vão ser candidatas em eleições para representar

- Tornar público toda a informação das entidades públicas, incluindo os partidos, i.e., accountability de todas as transacções que alteram o estado da organização respectiva (e.g. contratar uma pessoa, adjudicar uma obra, entrada de um militante)

É esta a revolução que se impõem, uma revolução de consciência individual que permita desenvolver no sistema democrático uma consciência colectiva que desenhe. É uma revolução de inovação social. Com todos, sem excluir. E, estamos a tempo!

Uma vida equilibrada (princípio do 1/3)

Nos últimos anos tenho procurado viver a minha vida de forma equilibrada, desenhando o meu estilo de vida, com opções claras na alimentação, exercício e mobilização fisica, rotinas e hábitos de bem estar, gestão do tempo e crescimento interior e espiritual (de sentido).

Deixei de fumar em 2005 (fumei durante 19 anos), emagreci 30 Kg em 2006 (cheguei a pesar 95 Kg), inclui na minha rotina o exercício fisico (até por questões de saúde uma vez que me foi diagnosticado uma situação na coluna que me impede de ter uma vida sedentária do ponto de vista físico - há males que vem por bem) e tenho feito várias viagens ao meu interior, desenvolvimento o conhecimento de mim, nomeadamente aprendendo a lidar com a ira, com a frustação, por exemplo, tirando proveito das minhas características pessoais, que me definem e aprendendo sobre a minha personalidade. Reservo cerca de 6 horas semanais para leitura.

Nesta caminhada, um princípio tem pautado o desenho do estilo de vida - designo como princípio do 1/3: 1/3 do tempo semanal é dedicado a dormir e a higiene pessoal, 1/3 a construção da sociedade, onde se enquadra a actividade designada por profissional, bem como o voluntariado e 1/3 para vida familiar onde se inclui a vida pessoal.

Uma semana tem 7 dias de 24h ou seja, 168 horas; 1/3 x 168 = 56 horas. Ou seja, 56 horas semanais de repouso e higiene pessoal, 56 horas de actividade social e 56 horas de vida familiar e pessoal. Quero sublinhar que as 56 horas de actividade social, executadas em 5 dias por semana, corresponde 11.2 horas por dia.

Quando me afasto deste equilibrio mensal, a ansiedade cresce, stress aumenta, bem como o cansaço, tenho maior dificuldade em lidar com a frustação. Com a persistência, é meio caminho andado para 'explodir', como habitualmente dizemos.

Colocado desta forma importa reflectir como cada um usa o seu tempo semanal. Deixo algumas perguntas para ajudar na reflexão/ desenho para adoptar uma vida equilibrada:

- 56 horas de actividade social por 5 dias úteis dá 11.2 horas de actividade (e.g. trabalho) por dia; corresponde a média diária sem incluir transportes ?

- como é usado o tempo familiar e pessoal ?

- um fim de semana, descontado o tempo de descanso (48-16=32) gasta 32 horas das 56 do tempo familiar; sobram 24 horas (4.8 horas por dia útil), como são usadas ?

- se num dia útil trabalho 11.2 horas, gasto comigo e com a família 4.8 horas, em que gasto as restantes 8h ?

- quanto tempo gasto em transportes ? a minha residência é perto do local de trabalho ou escola dos filhos (se for o caso) ?

- actividade física regular, por exemplo 3 vezes por semana, consome 6h semanais do tempo de descanso (higiene) e do tempo de vida familiar/ pessoal

- que tempo dedico a mim, fazendo exercício físico, praticando um hobby, meditando, lendo, ... ?

Espero que ajude na transição interior e na adopção de uma vida mais equilibrada.