domingo, 24 de março de 2013

João Sem Medo e a DreamWorks

Como se 'apropriar' da proposta do João Sem Medo Center, utilizando os filmes da DreamWorks Animation ?

Proposta:
Pessoas integradas, que usam empreendedorismo para co-criar comunidades resilientes.

Filmes da DreamWorks Animation:

"pessoas integradas" - competências em - conhece-te a ti mesmo - Filme [Rise of the Guardians/ A Origem dos Guardiões](http://www.dreamworksanimation.com/movies/rotg/)

"empreendedorismo" - competências em - vive no presente:
Filme [How to Train Your Dragon/ Como treinar o teu dragão] (http://www.dreamworksanimation.com/movies/httyd/)
e
Filme [Kung Fu Panda/ Panda Kung Fu] (http://www.dreamworksanimation.com/movies/kfp/)

"comunidades resilientes" - competências em questiona os pressupostos: Filme [The Croods/ Os Croods](http://www.dreamworksanimation.com/movies/croods/)

Para além de ser divertido, de ser um momento com a família e/ou amigos, de descanso, pode ser um momento de reflexão, usando o 'lateral thinking', sobre o modo como cada um de nós vê o Mundo, dá um significado a sua Vida e procura agir para co-criar a comunidade/ sociedade com que sonha.


Nota: O conceito de 'integração' é um conceito da Teoria do Eneagrama de Personalidades - integração/ desintegração. Uma pessoa integrada é uma pessoa cuja sua acção é ancorada no seu SER; é uma acção consciente, livre, sem medo. É uma pessoa que se conhece a si própria.

quarta-feira, 20 de março de 2013

O 'novo'

Os Portugueses (tenho que me habituar a dizer as pessoas que nasceram em Portugal - o José Gil no ensaio "Em busca da identidade" sublinha o facto dos Portugueses, serem Portugueses antes de serem pessoas; este sentimento é a causa de uma alienação colectiva que nos desumaniza e nos autoriza o 'chico espertismo', o egoísmo e o fatalismo)... Vamos lá então humanizar - é o novo a nascer, sobre a forma de uma consciência de nós próprios ;-) :

As pessoas que nasceram em Portugal iniciaram uma aventura pelo Mundo. Nessa aventura cruzaram-se com o 'novo'. Com algo que nunca tinham visto. Alguns desses 'novos' estão gravados nos nossos monumentos - por exemplo na Torre de Belém temos os 'rinocerontes'. Reparem o impacto deste novo, que estas pessoas e os seus descendentes decidiram gravar em pedra o 'novo'. O 'novo' tem sempre este impacto.

As pessoas que andaram além mar contemplaram o 'novo'. Para esse 'novo' (e.g. rinoceronte) não tinham linguagem (e.g. a palavra 'rinoceronte'). Estão a ver, a sentir mas não sabiam nomear, conceptualizar.  Como partilharam ente si, os que contemplaram ? E como iriam partilhar com os outros, que não viram ? Talvez desenhando, representando, usando o conhecido, como 'parecia um boi, mas era mais baixo, mais forte, tinha a pela mais clara, não tinha dois cornos ao lado, antes dois cornos a frente'. Quem ouvia, como imaginava o 'novo' ? De mil e uma formas... até que um dia trouxemos um exemplar e muitos puderam ver. A necessidade obriga a criação do conceito e a sua nomeação. Hoje, ao invocarmos o símbolo 'rinoceronte' ocorre-nos o conceito, o desenho/ imagem e todas as associações que fizemos, desde os animais no jardim zoologico, ao Safari que fizemos, ao jogo de computador, aos desenhos animados ou à referência na Torre de Belém. Imaginem os sentimentos que gerou: medo, curiosidade, ansiedade, stress, curiosidade, ... e nas milhares de histórias, de risos nervosos, pontos que se acrescentaram, ... ao longo de dias, anos, séculos. Penso que ainda hoje é possível encontrar pessoas que não conhecem o símbolo 'rinoceronte' e que conseguiriamos reproduzir parte desta história.

Este é o relato do 'novo'. Qualquer que seja o tema, ele surge sempre desta forma. Podemos substituir a palavra 'rinoceronte' por 'avião', 'computador', 'internet', 'telemóvel', ... e podemos sempre contar esta história. Muitos de nós lembram-se de como algumas destas palavras entraram nas suas vidas e o que foi o sentir da emergência do 'novo'. O que diziam as avós e as mães. O que foi a curiosidade e os mitos.

Há um aspecto que importa iluminar neste 'novo'. Ele não existe para alguém, porque esse alguém nunca o 'viu' e como tal nunca lhe deu significado (e.g informação sensorial, emoções). Mas o facto de não existir para alguém, não quer dizer que não existisse. O rinoceronte já existia antes das pessoas que nasceram em Portugal o verem pela primeira vez, mas foi o acto de ser observado que lhe deu existência, para elas, do rinoceronte, e esse facto mudou a sua vida e deu nova vida ao 'novo'.

Daqui resulta 3 aspectos do 'novo' que quero sublinhar:

- um é que o 'novo' já existe; acontece é que nós não o conseguimos 'ver'; e como não o vemos ele não existe para nós; mas está a nossa volta, invisível ao nosso sentir (são as coisas de Deus ou do Diabo; as mãos invisíveis; a sorte e o azar; e outros nomes que fomos dando) - é o quântico da coisa: só quando observamos é que existe - é o gato de Schrodinger;

- o outro é que o 'novo' ao não ser 'visto' não consegue ser nomeado, tornando difícil criar símbolos, que permitam a sua comunicação; se não 'vemos' o 'novo' como podemos falar dele ? como podemos explicar ao outro ? - é a emergência, a auto-referenciação, a auto-organização, a autopoiese.

- o terceiro ponto é que, quem sente o 'novo', vai expressar o 'novo' segundo as linguagens que percebe, seja a arte (e.g pintura, música, poesia, escrita, cinema), a ciência, religião, filosofia, ... e vai expressar usando a linguagem e os conceitos que existem hoje para tentar criar novos símbolos, novos significados - o 'novo' emerge, a partir dos recursos que temos ao presente, dos conceitos que conhecemos; por aqui se explica porque várias pessoas parecem descobrir o mesmo em vários sítio em simultâneo e em geografias e artes diferentes (memes e vmemes da dinâmica da espiral).

Nós já estamos a viver o 'novo'. Ele já cá está. Muitos já o estão a sentir de forma consciente e começam a expressar.  Por ser observado começa a existir. E a permitir que outros o observem. Estamos a criar os 'simbolos' para podermos comunicar uns com os outros. Este 'novo' também terá muito impacto sobre nós e também será difícil de nascer. Este 'novo' é paradoxal, é não-linear, é não-intuitivo, é vivo. É um 'novo' que diz que não precisamos de um lider, de um Deus para nos comandar e controlar. É um 'novo' que diz que quando mais livres formos e quando mais conscientes da nossa liberdade formos, maios será a nossa capacidade de aceitar a ordem emergente e sermos flexíveis perante a vida. Este 'novo' sabe que, o Mundo real, não se rege pelas leis das pessoas, antes pelas leis do universo, da vida. Real é o terremoto ou as marés que não podem ser mudados. Países, sistemas democráticos, sistemas financeiros, mercados, desemprego, pobreza, ... tudo isso podemos mudar. Basta aceitarmos que somos livres, que eu sou livre e que o outro é livre.

Por exemplo, no Ciclo de Workshops "Todos podem aprender empreededorismo" já estamos algo desse 'novo'. Dessa inteligência colectiva que emerge quando as pessoas se sentem ligadas a si próprias e a sua essência: cuidam umas das outras, partilham o que sabem, aprendem com o outro, com um seu semelhante, num ambiente seguro e livre.

terça-feira, 19 de março de 2013

4 disciplinas de saber

Edgar Morin fala-nos das três disciplinas de saber, que tem estruturado o conhecimento ao longo do tempo; as disciplinas mãe do saber, da vida, do universo.

Na base a física. Depois a biologia. A seguir a antropologia. Todo o trabalho dele aponta para a quarta disciplina.
A quarta que vejo emergir é a o 'desenho', a da intenção. A disciplina que depende da consciência. Esta disciplina começou por ser física, com a construções dos utensílios, roupas, abrigos, ... mas a crescente complexidade mostrou outra dimensão, a do conceptual, a do abstracto. Temos os objectos que, sendo conceptualizados, ganham forma no mundo físico (e.g casa, copo, livro) - o desenho esta muito associado a essa dimensão onde estão presentes a arquitectura, as artes, a engenharia... o engenho humano, ligado ao corpo, ao manipular - ciência [desenho] do concreto ; e os objectos que sendo conceptualizados, quando ganham 'forma', continuam no espaços dos conceitos, influenciando o que se passa a sua volta, é o caso do software, da informação, das organizações, das constituições, do conceito de país, democracia, ... o engenho humano, ligado à mente, ao conceptualizar - ciência [desenho] do abstracto.

Nesta quarta ciência o invisível ganha importância. O 'whole system' é o ponto de partida. Não as suas partes. As (inter) relações o seu objecto. O paradoxo manda. A interdependência e a independência dos individuos são ambas condições necessárias. Nesta ciência, importa os conceitos de identidade, espírito, significado, proposito e consciência (inspirei-me na Margaret Wheatley em 'Leadership and the New Science"). É o regresso à metafísica pela porta do construtivismo e do system thinking.

Tempos empolgantes estes que vivemos, onde temos a oportunidade de re-DESENHAR os conceitos à nossa volta: da escola, do centro de saúde, de vizinhança, de família, de bairro, de comunidade, de amigo, de mobilidade, de sustentabilidade, de humano, de SER - sendo o último a ser nomeado, será certamente o primeiro e ser 'desenhado' - é o que esta ao alcance de cada um de nós.

10 mil horas. Empreendedor ?

M. Gladwell no livro "Outliers" apresenta a 'regra das dez mil (10.000) horas'. A mestria num tema exige 10.000 horas de prática, i.e., 5 a 6 anos (em dias de 8 horas, semanas de 5 dias e anos de 40/44 semanas).

Se aplicarmos a regra ao empreendedorismo, alguém seria empreendedor depois de 10.000 horas Será assim ? Estou convicto que sim. Porque ser empreendedor seria diferente de ser cirurgião, piloto de avião, cozinheiro, carpinteiro, músico, soldador, agricultor, pescador ou qualquer outra actividade humana ?

Então só serei empreendedor depois das 10.000 horas ? Penso que a resposta é a mesma para as outras artes. Num momento inicial há a intenção em ser; somos aprendizes de...; à medida que o tempo passa, vamos ganhando mestria no tema, até nos sentirmos confiantes em 'voar sozinhos'. Há um momento em que deixamos de contar, e pouco depois, pelo menos é a nossa percepção, já passaram as 10.000 horas e mais uns anos ;-)

Daqui resulta dois pontos:
a) Como aprendiz devo ter um mestre - um ou mais mentores - não precisa ser uma pessoa, pode ser uma comunidade de pessoas, como o João Sem Medo Center; mas tenho que ter referências dos temas e áreas em que estou a trabalhar - modelos/ referências.

b) Devo ter um 'recreio', 'um simulador', onde possa brincar, experimentar sem 'cair pelas escadas abaixo', 'sem deitar o avião ao chão' ou 'matar o doente'; são exemplos organizar eventos, sejam viagens, festas, ter vida associativa, liderar projectos em que alargo a minha zona de conforto; posso e devo fazer isto ao longo do tempo, passo a passo, começando o mais cedo possível. Mas se não começei cedo, não esta nada perdido; posso juntar-me a uma comunidade e começar a fazer isso agora: e.g. João Sem Medo Center, Beta-i.

Estando numa comunidade, há diferença em estar numa comunidade intencional, que nasceu com a intenção ser ser esse laboratório, de ser o espaço onde se aprende a lidar com a incerteza, passo a passo. Uma comunidade que esta focada na pessoa e nos seus baby-steps. Onde não acertar faz parte do processo de aprendizagem e não de colapso da auto-estima. Quando no João Sem Medo estou a ajudar a organizar o 'ask experts' ou o 'ciclo de workhops "Todos podem aprender empreendedorismo", estou a brincar neste recreio, onde alargo a minha zona de conforto. Mas porque é intencional estou a ganhar a vários níveis: estou a criar relações, conhecendo pessoas e organizações, que podem ser meus clientes, parceiros, colaboradores, sócios, ... estou a melhorar os meus skills de relacionamento; estou a conhecer-me melhor, a perceber o que gosto, o que me dá prazer, o que me faz zangar e porque; estou a lidar com os meus dragões (medos), observando os outros que já fazem a fazer; estou a construir a minha identidade, a minha auto-estima; estou a procurar o meu 'sentido', porque estou a fazer e a sentir, se o que faço faz sentido para mim ou não; estou a ganhar as minhas 10.000 horas como empreendedor.

Eu comecei muito cedo: lembro-me os 6 anos fazer recados aos meus pais sozinho, fora de casa. Ia para a escola sozinho. Aos 10 anos para além de ir para escola sozinho, ia para o andebol, e para o conservatório: entre transportes públicos e a pé (triângulo com 5km entre os lados); aos 15 organizei uma viagem de finalistas; aos 16-17 pertencia a 2 associações e por ai fora...

Há uma diferença entre o empreendedor e outra arte: é que um cirurgião pode ser empreendedor, i.e., para se ser empreendedor, temos que ter também uma arte. Ou as duas andam a par - foi o meu caso com a Safira (engenharia informática e empreendedorismo) - ou uma terá que vir a seguir a outra (carreira em engenharia informática e mais tarde torno-me empreendedor em engenharia informática - caso: widgilabs). Se o meu objecto de empreendedorismo mudou em relação à minha experiência inicial (e.g. era gestor de projecto e já tinha as 10.000 horas e agora vou empreender em comércio, terei que ganhar as 10.000 nas duas: comércio e empreendedorismo - caso Kiss the Cook).

sábado, 16 de março de 2013

2 organizações * 2 livros * qual será o próximo ?

Nos finais de 1996 nasceu a Safira com uma ideia (explorar o potencial da web nas organizações) e um convite ao Pedro.  Estava a acabar o meu mestrado em sistemas distribuídos. Seguiu-se a 1ª apresentação, a 1ª proposta, o 1º cliente (Beltrão Coelho, Lda.), o primeiro projecto (site web). Foi formalizada em Abril de 1997 com dois sócios, Marco e Pedro. Foi o início de um processo de aprendizagem. 

Em 2007 revivi este processo todo, quando li o livro do Peter Senge, "The Fifth Discipline", 1990, onde ele apresentava as 'learning organizations'. Era isto mesmo! Nós fomos uma 'learning organization', com todas as suas disciplinas.  Um desenho laranja, que criou as condições para a evolução para o verde (modelo Spiral Dynamics).

Nos finais de 2005 nasceu a darwin com uma ideia (explorar o potencial da informação nas organizações). Foi uma oitava acima, para usar a expressão de um amigo, em relação à Safira, quer no shift da tecnologia para a informação, quer no nível de consciência, dado que o ponto de partida da organização darwin foi uma 'learning organization'. Iniciei o meu doutoramento em 'engenharia e desenho organizational' e a darwin, o meu laboratório, em particular a partir de 2007.

Em 2013 revivi este processo todo, quando li o livro da Margaret Wheatley "Leadership and the new science: discovering order in a chaotic world", 2006, onde ela apresentava as 'self organized organizations' [conceito meu], descodificando a importância da informação para a organizar a acção humana e evidenciando o paradoxo de que mais liberdade individual equivale a mais ordem organizacional, sem perca da criatividade, da capacidade de mudar. Foi isto mesmo que experimentamos na darwin! Nós fomos uma 'self organized organization'. Um desenho verde, que criou as condições para a evolução para o amarelo (modelo Spiral Dynamics).

Nos finais de 2011 nasceu o João Sem Medo Center. Nova oitava acima. O foco muda da informação para as pessoas - descodificar como as pessoas podem usar a informação para co-criar self organized organizations. Somos uma 'Empty Centered Organization'.  Veremos qual será o livro que introduzirá o que estou empenhado em desenhar neste momento... Um desenho amarelo. Espero que crie as condições para a evolução para o turquesa (modelo Spiral Dynamics).