terça-feira, 23 de abril de 2013

crenças

Tenho reforçado a crença que um bom programa para o nosso território teria os seguintes objectivos e princípios:

Objectivos:
1. Ninguém com fome
2. Todas as crianças na escola
3. Pagar a divida

Seriam os primeiros três objectivos a cumprir. Para o que queremos fazer, somos necessários todos e não podemos ter fome (curto prazo). Não há futuro, se no presente não conseguirmos sonha-lo e para isso é preciso ler, escrever, dançar, tocar música, fazer contas, imaginar, fazer teatro, cantar, pintar, semear, meditar, ... é na escola que se começa e para começar a escola que temos tem os requisitos mínimos (longo prazo). Queremos fazer em paz, sendo importante pagar da mesma forma que a contraímos, a dívida. Pagamos para em paz, fazermos a mudança de modelo/ paradigma que queremos/ teremos que fazer. Sem fome, com os filhos na escola e a dívida paga, escolhemos os próximos três objectivos.

Princípios:
1. Nós somos parte indivisível da natureza, que não controlamos (Gaia)
2. Cada pessoa, com a sua acção pode mudar o seu futuro
3. Cada pessoa só consegue mudar-se a si
3. Vamos fazer com todos e para todos (co-criação e auto-organização)
5. Tudo o que precisamos já temos aqui e agora
6. A tecnologia esta ao serviço da pessoa e da natureza


acção de empreender no Mundo

Estimulado pela reflexão do Hugo em (link);

1. Vejo o empreendedorismo como um método, equiparado ao método cientifico (conhecimento), filosofico (especulativo/ conceito), artisitico (estético/ beleza), espiritual (teologico/ sentido)

2. Estes métodos são os métodos que a humanidade ao longo do tempo criou para lidar com a incerteza, com o seu lugar no Mundo, com o fazer sentido, com o lidar com a consciência de si e do Mundo

3. Neste sentido, a minha tese é que foi com o empreendedorismo que a humanidade criou os outros, foram empreendedores os que usaram as tecnologias da pedra e do fogo (onde isto tudo começou), os que pintaram nas paredes e inventaram tintas, pinceis e afins, os que criaram a agricultura, os seus instrumentos e as suas tecnicas, ... ou seja, empreendedorismo é o método com que a humanidade interage com o seu meio, e faz sentido em cada época

4. Numa visão mais espiritual contemporanea, o empreendedorismo é a manifestação do espirito criativo do universo, a consciência que cria, o espirito criador. Em cada época os empreendedores de então criaram o que tiveram de criar para fazer sentido: a arte, a caça, a agricultura, as tecnologias do fogo, ... as tecnologias electricas, as de comunicação, computação, informação, organização, ...

5. A consciência universal cria através da Vida, i.e., também da humanidade (mas não só!); a manifestação deste impulso criador nas pessoas, levou a acção no Mundo, a imaginar algo na mente e a desenvolver as 'artes' para criar no mundo o que se imaginou na cabeça e esta é a essência do empreendedor e do empreendedorismo: consciência que cria consciência.

6. Com as tecnologias do fogo criamos a separação entre nós e os outros: passamos a ter controlo sobre os outros animais, sobre a natureza, sobre nós próprios; passamos a utilizar o fogo para cozinhar, proteger, fazer utensilios, ... passamos a exercer controlo e nos distanciar da natureza

7. Continuamos a nossa separação com a agricultura: precisamos controlar a natureza para ter uma colheita

8. O método cientifico é o culminar deste processo de separação - inventamos forma de controlar o Mundo: conhecer o real (o positivo), que já existe e é matematico (cartesiano), descodificar as leis (tudo esta determinado) e desta forma conseguimos controlar o futuro e eliminar a incerteza - não temos mais que estar subjugados aos caprichos da natureza, do Homem (então o centro do Mundo), da ignorância (e os tempos que se viviam havia muita caça as bruxas, muita fogueira onde se queimavam pessoas, ...)

9. Desde então a separação entre a mente e o corpo, entre o conhecer e o fazer, teve como resultado a ilusão do controlo e da certeza: o mundo máquina; as pessoas foram encantadas pela flauta do progresso científico e pela continua alienação: nós não fazemos parte da natureza; a natureza existe para nos servir; temos tudo a disposição; a separação fez desaparecer a consciência, um processo complexo e logo emergente, surge de juntar e não de separar

10. É a ilusão que chega ao fim. Somos mente e corpo: a mente é corpo e o corpo é mente. Nós temos que nos confrontar com a suprema sabedoria: nós somos natureza e não estamos separados dela, quer no plano micro, a natureza humana, quer no plano macro, o cosmos. Nós somos Gaia. Com o juntar emerge a consciência e começamos a perceber que estivemos alienados

11. Foi como se nos tivessemos deitado a noite, tranquilos, e de manhã, acordamos sobressaltados e estamos cheios de sangue com uma faca na mão e jaz um corpo ao nosso lado. O que se passou ? É este acordar que esta a acontecer por todo o lado: o que fizemos ?

12. Este é o sentir da época; o chamamento dos empreendedores, das pessoas que, olhando para tudo isto, sentem o impulso criador, vêm o mundo como um caldeirão de oportunidade; "esta tudo para fazer", dizem.

13. A percepção das oportunidades pressupoem que a pessoa esta em sentido de integração (como se diz no eneagrama), que esta em flourishing (como se diz na psicologia positiva), que sente o impulso criador e que faz sentido do mundo agindo sobre ele

14. O empreendedores de hoje sentem que já não podem separar; que tem que juntar, reunir. Que as tecnologias não podem ser do fogo (controlo). Antes terão que ser da água (felxibilidade/ adaptação). Temos que incluir e não excluir. Temos que vir todos e construir com e para todos.

15. Este é o desafio de juntar mente e corpo. razão e emoção. é o integral. Crescemos muito na razão e nos seus métodos. Crescemos muito na acção e nos seus métodos. Estamos muito mal preparados para lidar com o coração e com as emoções.

16. É este o espaço-tempo dos empreendedores do presente: promover a integração das pessoas, para estas poderem usar o método do empreendedorismo e co-criarem organizações e comunidades resilientes, que promovam o bem estar de Gaia.

17. A sirene esta a tocar. É a hora. Vinde pessoas da nossa época. Vinde sonhar. É tempo de Sonhar. E é tempo de empreender para termos amanhã, o Mundo com que sonhamos hoje.

18. O chamamento será ouvido por todos aqueles que treinarem o seu ouvido para ouvir a voz do silêncio. O seu silêncio. O chamamento é interior. Começa em cada um de nós.

19. É este o processo que temos que facilitar. Não pode ser controlado. É um exercicio de liberdade. É este o novo que quer nascer.

20. E para algo nascer, algo terá que morrer. O controlo. E isso doi. É o parto. Primeiro o utero foi grande. Depois começou a ficar apertado - há que nascer. Segue-se a dor do nascimento, o caos, a desorganização. Para depois vermos nos nossos braços o/a filho (a). Segue a tranquilidade do novo. Neste momento estamos a sentir que o útero é pequeno e que há que nascer. É tempo de começar a viagem. Quem sou ?