quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ética do Gratuito

Por Marco de Abreu para o João Sem Medo Center.
Maio de 2012

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Introdução

Num estimulante livro de 2006, 'Revolutionary Wealth', o casal Toffler, desenvolve uma perspectiva sobre a 'teoria económica' vigente considerando que existem duas vertentes, a economia monetizada, a que conhecemos bem (e que chamamos 'capitalista', 'liberal', entre outros) e a economia não monetizada (onde se enquadra associações, caridade, solidariedade social, o terceiro sector, mas não só!). Na visão deles, a economia não monetizada, de dimensão pelo menos igual à monetizada, não esta estudada e encontra-se fora das teorias económicas vigentes - o caminho para se chegar a este ponto é muito bem apresentado por Bruni e Zamagni no seu livro de 2004, 'economia civil'.

Nesta economia é a intenção, o sentido que damos à nossa acção, que é o seu principal motor, e.g. querer ser pai, ir a um aniversário de um amigo, fazer voluntariado para ajudar as crianças com câncro.  Entre muitas das consequências desta perspectiva analisadas no livro, destaco uma particularmente importante para o nosso contexto, é a economia não monetizada que dá sentido à monetizada, que a gera, que a fundamenta. Vejamos alguns exemplos.

Quero ser pai, não porque tenho um interesse económico, antes porque quero dar um sentido à minha vida, é um acto biológico e espiritual, resulta da minha biologia (emergência celular) e da pessoa que sou ou ambiciono ser (intenção espiritual). Esta acção não monetária gera um conjunto de transacções monetárias ao longo do tempo, como todos os pais sabem, criar um filho é um acto de amor que custa muito dinheiro.

Vou ao Porto festejar os 40 anos do meu amigo, quero estar com ele, partilhar esta etapa na vida dele, ainda por cima passou por uma provação tão grande com a perda do pai. É um gesto de amor, de carinho com o meu amigo, uma acção da economia não monetizada, no entanto para a realizar gero uma quantidade de transacções económicas, desde logo o bilhete do comboio, os táxis, o restaurante, entre outros.

Uma outra perspectiva, também referida nos autores já citados, mas que encontra maior ênfase no Movimento Transição, é a escala, i.e., a dimensão local e global da economia, i.e. uma economia local e uma economia global. Uma economia local que se quer sistémica, sustentada e resiliente, capaz de contribuir para o bem estar humano, sendo tolerante à incerteza. Por ser forte localmente, pode tornar-se global e tirar proveito das redes globais (e.g. informação, transportes).  Por oposição à economia globalizada, resultante das teorias económicas que criaram a 'economia monetizada', no contexto do casal Toffler.

Segundo estas dinâmicas, temos assim quatro dimensões, com contextos que são observáveis hoje, mas onde há muito trabalho para fazer, na epistemologia e na pragmática, i.e. na ciência e na prática:

- economia global monetizada (e.g. microsoft)

- economia global não monetizada (e.g. nações unidas)

- economia local monetizada (e.g. supermercado de bairro)

- economia local não monetizada (e.g. horta comunitária)

Uma outra perspectiva, desenvolvida pelo Yunus, no seu livro de 2010, 'Social Business', é a importância de uma capacidade empreendedora local, que consiga gerar uma economia resiliente, sustentada. Destaca-se aqui o papel de cada pessoa nesta construção de baixo para cima (grassroot), e de organizações que estruturam o conhecimento e a acção (social business), que usam os instrumentos da economia monetizada (e.g. mercado) no contexto da economia não monetizada, permitindo que a acção chegue a quem dela necessita, numa lógica de empowerment e não de caridade. Uma economia local que se estrutura de baixo para cima com base na auto-derminação, social, política e económica, da pessoa humana. O empreendedorismo, enquanto método, é um instrumento válido em cada uma das 4 dimensões apresentadas. No contexto em que é utilizado pelo Yunnus é um instrumento ao serviço das economias locais e das pessoas. O 'social business' um instrumento de interface entre as economias monetária e não monetária.

A última perspectiva que gostava de chamar para esta discussão é a que resulta da mediação tencnológica (e.g. internet). No seu livro de 2009, 'Free', Chris Anderson, introduz o conceito de free/ gratuito, caracterizando os diferentes tipos de 'gratuito' desde os mais tradicionais expedientes de marketing (amostra para experimentarmos um produto) até ao mais genuíno (caridade). Neste contínuo enquadra-se o modelo de negócio 'gratuito' que se pode ver no Google Seach ou Google Email, o coração da empresa (core business), onde ela mais investe e onde está a sua maior estrutura, é o que oferece aos seus clientes. Quem duvidaria da qualidade destes serviços ? Que clientes toleravam uma quebra de serviço ? Mas não é gratuito !?

Este modelo de negócio serve todas as 4 dimensões atrás apresentadas e constitui um dos melhores instrumentos, possibilitados pela mediação tecnológica, para interface entre as economias monetárias e não monetária. Com uma 'pesquisa' de qualidade eu gero satisfação nos meus clientes, que voltam e me permitem monetizar as pesquisas por 'patrocínio' de terceiras partes, interessadas nos 'motivos' da pesquisa. A liberdade está toda do lado da pessoa/cliente/ consumidor - que é também produtor de conteúdos (e.g. blog) que por sua vez serão pesquisados. Este 'gratuito' é onde a empresa se empenha, é o serviço/ produto de qualidade, é onde coloca todo o seu investimento, é onde se desenvolve o seu negócio.

Estes dois modelos são instrumentos muito importantes, dado que permitem navegar entre as economias local e global, e economias nometizada e não monetizada, a saber:

- empreendedorismo (método)

- free/ gratuito (modelo de negócio, melhor dizendo uma classe/ categoria de modelos de negócio)



Modelo de negócio

O João Sem Medo Center for Entrepreneurship, é uma empresa social, que participa na economia local não monetizada. A sua 'moeda' é a troca, a generosidade de cada uma das pessoas que se liga a esta entidade.

Mas é também uma comunidade de pessoas que estão a empreender, i.e., de pessoas que participação na economia local (e global) monetizada.  Desenvolve o método do empreendedorismo. Utiliza um modelo de negócio de base gratuita. Muitas das aventuras são projectos mediados por tecnologia, onde o mercado natural é o global.

Isto é, tocamos em todas as frentes, em todas as 4 dimensões e utilizando os dois modelos. Como tudo isto se liga ?

É preciso deixar claro, como pressuposto base, que como entidade subscritora do MOVIMENTO manifesto, somos pessoas com interesses, a saber: económico, social, aprendizagem e motivação.

Vamos responder a esta questão, respondendo a duas questões que se deriva desta: Como pagamos as contas do João Sem Medo Center ? Como são remuneradas as pessoas que trabalham no João Sem Medo Center ?

Como pagamos as contas do João Sem Medo Center ?

O João Sem Medo Center presta serviços aos sócios (e.g. contabilidade, marketing, tecnologia, jurídico), individuais e colectivos. Estes serviços são prestados por uma rede de parceiros (também eles criados por pessoas empreendedoras). Em cada serviço prestado, 10% do valor do serviço, reverte a favor do João Sem Medo Center. É com este valor que pagamos a nossa estrutura de custos como a renda das instalações ou o acesso a internet.

Como são remuneradas as pessoas que trabalham no João Sem Medo Center ?

As pessoas que trabalham, i.e., cuja sua entidade patronal é o João Sem Medo Center fazem parte da sua estrutura de custos. Assim como as pessoas que estão ao serviço de organizações contratadas pelo João Sem Medo Center. Os sócios, candidatos a sócios e voluntários participam na economia da generosidade como lhe chamamos, a economia em que cada pessoa dá o seu tempo e as suas artes e recebe o tempo dos outros, a arte dos outros, mais tudo o que emerge por seremos uma comunidade vibrante de pessoas que querem construir o mundo: contactos, oportunidades de negócio, de parceria, apoio humano, suporte de gestão, orientação, referências, ideias, sugestões, …

Cada pessoa está no João Sem Medo Center porque está a empreender, porque está a desenvolver pelo menos uma aventura. É daqui que vem os seus resultados financeiros, o seu dinheiro para as suas despesas. É este o ponto em que estamos na economia monetizada.

Cada pessoa sabe fazer muitas coisas, pode saber cozinhar, costurar, ser consultor financeiro, programador, designer, perito em propriedade intelectual, escritor, músico, … Por estarmos em comunidade, cada uma destas pessoas coloca a sua arte ao serviço dos outros. Como para criar uma aventura precisamos de muitas artes, desta maneira, por disponibilizar a minha arte, tenho acesso a arte do outro, de forma gratuita. Fazemos isto através de vários instrumentos que foram desenhados com a colaboração e cooperação no centro: aks experts, workshops, pitch, talks, community links, entre muitos outros.

É por isso que dizemos que somos uma "empresa social" (prestador de serviços, a entidade que se quer saudável e lucrativa, mas de missão social) de "empreendedores para empreendedores" (a comunidade que por participar na economia da generosidade, contribui para a sua economia monetizada, para a sua aventura ou aventuras, de onde vem os seus rendimentos. Uma economia sustenta a outra, num enacting.

Somos locais, actuamos em cada local, focados em cada pessoa. Mas queremos ser globais, porque também apoiamos pessoas cuja ambição é criar projectos globais, mas porque queremos que a nossa mensagem chegue aos futuros 10 biliões de seres humanos como prevê Rosling na sua mais recente TED Talk (http://www.ted.com/talks/hans_rosling_religions_and_babies.html). Faremos isso, criando vários centros em cada ponto do mundo onde faça sentido, onde a comunidade local queira, pois terá que ser essa comunidade que o desenha e desenvolve. Se tens ideia de criar um centro, contacta-nos.

Uma última questão surge: e como posso participar não sendo membro da comunidade ? o que recebo ? o que tenho que dar em troca ?

Todas as pessoas do mundo podem participar no João Sem Medo Center e receber, participando nas nossas iniciativas abertas ao mundo, assim se ultrapasse o problemas de acessibilidade, como a lingua, informática, entre outros. Mas por princípio não estamos fechados. Por desenho e limitações de recursos, sabemos que há algumas barreiras (e.g. uma pessoa que fale chinês e não saiba falar inglês ou português terá dificuldade em participar no João Sem Medo Center, ainda!).

Devolvo, dando, no caso mais simples, os meus contactos (e.g. email) para poder receber a agenda das nossas iniciativas. Posso dar também do meu tempo, sendo voluntário numa iniciativa ou participando com as minhas competências numa (e.g. ask experts, organizar um workshop).

Se eu tiver uma empresa, i.e., sou um empreendedor, o João Sem Medo Center reconhece isso e promove a marca do empreendedor e o seu projecto: somos uma comunidade de empreendedores para empreendedores, os que estão a começar agora e os que já começaram a mais tempo.

É através deste modelo de negócio gratuito que vamos crescer, mostrando o nosso valor e atraindo cada vez mais pessoas que enriquecem a comunidade e a abilitam a fazer mais. É um ciclo de feedback positivo que se alimenta a si próprio, auto-organiza-se e auto-potência-se.



Ética do gratuito

Somos uma empresa social, que potenciamos a economia não monetizada (como chamamos a economia da generosidade) para criar uma economia monetizada para os nossos sócios. Neste enacting entre as duas economias (monetizada e não monetizada) geramos o nosso valor social. Para nós o dinheiro é um instrumento para a nossa acção, ajudar pessoas a empreender, a aprender a viver com a incerteza e a utilizar a incerteza a seu favor. Empreendedorismo.

Somos um instrumento de economia local, assente na pessoa e no seu sistema de organização local, a ideia que a pessoa pode construir esse sistema em colaboração com os outros. Mas sabemos como utilizar as redes globais para potenciar as oportunidades da nossa economia local, entendemos como a mediação tecnológica potência e amplifica o conhecimento humano, gerando valor global (economia).

Por último, utilizamos para financiar a nossa estrutura de custos o modelo de negócio da comissão de serviço. Para 'financiar' a nossa acção o modelo de negócio gratuito (economia da generosidade).

Resumimos isto na frase, "somos uma empresa social de empreendedores para empreendedores".

Este gratuito é um gratuito de qualidade, é o melhor que cada pessoa sabe. É o melhor que eu, que estou a ler este documento sei, pois eu também posso participar. O outro (o que está a fazer o workshop ou o aks experts) não é melhor que eu, apenas sabe mais do que eu no tema A. Mas eu também sei muito do tema B. Eu recebo e dou. Eu respeito e sou respeitado. É tão velho como a humanidade ou, pelo menos, como Confúcio. Se Eu sou o Outro e o Outro sou Eu, quando falto ao respeito ao outro, estou a faltar ao respeito a mim. Esta é a premissa base da ética do gratuito que aqui defendemos. Se decidi participar tenho direitos e deveres. Não tenho outra hipótese a não ser respeitá-la.

Tudo começa com um acto de liberdade:

- O João Sem Medo Center decidiu ter uma oferta gratuita, de qualidade, à comunidade.

- A pessoa decidiu se inscrever ou participar nessa oferta.

É neste acto fundador, nesta acção primordial, que reside o fundamento desta ética. O João Sem Medo Center não era obrigado a ter uma oferta para mim, nem eu era obrigado a me inscrever. Mas assim que formulou a oferta e assim que eu aceitei participar, inicia-se uma relação de partes livres, com direitos e deveres, desde logo legais, mas, muito mais importantes que estes, éticos.

O João Sem Medo Center tem o dever de me oferecer um serviço de qualidade, em respeitar-me como pessoa, em salvaguardar a minha informação, em perguntar a minha opinião, em ouvir-me e em fazer uso dessa informação para a sua evolução, para a sua melhoria, por forma a que eu continue a ter um serviço de qualidade. Por forma a que comunidade seja auto-sustentada.

Por sua vez eu tenho a obrigação de honrar o meu compromisso, estar presente, chegar a horas, participar, colaborar com o outros, disponibilizar-me para aprender e para ensinar. Para partilhar.

Sobre o valor do gratuito

É este gratuito sinónimo de coisa que não tem valor, ou que só é gratuito porque ninguém compra. Não é gratuito por desenho, por modelo de negócio, por natureza (como é a Google). E sendo gratuito é de excelente qualidade, é o melhor que cada membro da comunidade consegue fazer, pessoas que têm empreendimentos realizados e uma história de vida. Pessoas cuja sua profissão é usar este conhecimento, que vivem dele. Simplesmente no contexto do João Sem Medo, disponibilizam de forma gratuita, porque estão na comunidade, porque estão ao abrigo da lei 'eu dou e recebo'. Dou do meu tempo e saber e recebo do tempo dos outros, saber dos outros. Porque me promovo e a minha actividade. Porque ajudo e sou ajudado. Porque participo na economia da generosidade.

Ser gratuito é sinónimo de qualidade. Do melhor que somos capazes em cada momento. Só assim estamos a altura de ajudar cada pessoa a construir o seu futuro, independente do seu poder económico, literacia, escolaridade, ou qualquer outro atribuito.

Sobre a legitimidade da falta

Claro que é legitimo faltar. O meu filho ficou doente e tenho que ir busca-lo. Fui atropelado. Um cliente ligou-me e tenho que ir em seu auxílio. Claro que é legítimo faltar. Mas esta legitimidade não me desresponsabiliza. É exactamente ao contrário. Porque quero ser respeitado, tenho que respeitar. Tenho que respeitar aquele que, em vez de estar com os seus filhos ou com os seus amigos, decidiu disponibilizar do seu tempo para partilhar algo comigo, que eu quero saber, por liberdade de escolha. Ele, generoso, partilha comigo e faz de forma gratuita. Eu, livre, decidi que me interessava. É enorme a responsabilidade, maior do que se eu tivesse pago. Se tivesse pago a pessoa teria a recompensa económica. Não teria a recompensa do reconhecimento. Aqui, como não há a económica, só a do reconhecimento. Se não venho, impossibilito a pessoa de ter a sua recompensa. Tão generosamente partilha comigo, eu aceito e ainda por cima não lhe recompenso. Não pode, este comportamento, ser uma expressão de uma boa ética.

Acresce o facto de, como as inscrições são limitadas, pelo imperativo de tempo e qualidade de serviço, ao me inscrever limito o acesso a outro, que tem igual direito ao meu, apenas o decidiu exercer mais tarde. Se me inscrevo e não compareço, ofendo todos os outros que queriam estar presentes e não podem porque eu exerci a minha liberdade, mas não tive há altura da responsabilidade que esta me conferia. Se o outro faz o mesmo, eu nunca me vou conseguir inscrever ou estar presente. O feitiço voltou ao feiticeiro, qual boomerang ético, como explica a tragédia dos comuns.

No caso de falta, e sempre que possível, é informar o João Sem Medo por forma a que este possa promover as diligências para que outro entre em seu lugar. A razoabilidade e o bom senso ponderam todos estes pressupostos. Afinal somos humanos. Falham as pessoas que representam o João Sem Medo, falham as que são servidas. Mas tal facto nos isenta da responsabilidade. Exerce-la com sabedoria é a arte de todas as pessoas que se respeitam a si mesmas.

Por ser legitimo faltar, só devo me inscrever quando tenho boas garantias que vou conseguir estar presente (sabemos que não existe a certeza absoluta!). Em dúvida devo esperar, por forma a não limitar o acesso ao outro.

Sobre chegar atrasado

Como o serviço é de qualidade, como é gratuito e como a falta existe, se chegar atrasado, o mais provável é a acção já ter começado, irei perturbar os trabalhos, não devo tirar o proveito e muito provavelmente perco o meu lugar caso, haja outras pessoas em espera. É legitimo, mas o atraso deve ser aceitável (na fronteira dos 15 minutos). Importa perceber que se começar tarde, acaba tarde, e todos tem compromissos a honrar. A interacção social obriga a esta responsabilização que os horários são para cumprir, com a flexibilidade necessária para o imprevisto mas sempre no respeito por cada uma das pessoas

Sobre ser fornecedor

Se aceitei participar nas iniciativas do João Sem Medo Center e ganhei negócio em virtude desse acto, sou um fornecedor de facto. Neste contexto devo prestar a devida comissão ao João Sem Medo Center de 10% do negócio.

Imagine por hipótese que um sócio me passou uma oportunidade de negócio. Esse é um acto normal entre pessoas que estão juntas e interagem e como não fere os pressupostos éticos desta comunidade.

Sobre ser sócio

É maior a responsabilidade, pois decidi livremente entrar nesta comunidade e respeitá-la. Ao assumir um pressuposto errado (gratuito é mau, não faz mal faltar, posso chegar atrasado), não só tenho impactos sobre o outro, sobre mim, como também prejudico a imagem do João Sem Medo e a comunidade com a qual me identifico e decidir associar-me. Sendo estes instrumentos importantes na evangelização pública da acção do João Sem Medo, inibo que mais pessoas possam conhecer a nossa mensagem e dar o seu contributo à comunidade, o que prejudica a comunidade e, por consequência, a mim próprio. Como leva tempo a sentir esse efeito, tomo como não existente. Não o devo fazer.



Conclusão

A nossa economia da generosidade (modelo de comissões, associado ao modelo do gratuito) permite-nos um enacting entre a economia não monetizada e a economia monetizada que cria valor para a pessoa, para a comunidade e para a sociedade. Este ciclo de ganhos positivos (soma não nula) alimenta uma comunidade local de empreendedorismo e a capacitação das pessoas para construir o seu futuro e das suas comunidades. Este movimento de base local, assim que se multiplica em rede e/ou tira proveito das redes globais instaladas, ganha proporção global.

É um instrumento do bem estar humano. Por isso necessita de uma sociedade resiliente. De uma economia local, humana. Da iniciativa de cada um.

Numa transacção monetária há dois tipos de recompensa, a monetária e do reconhecimento. Como é uma acção gratuita não há a recompensa monetária. Aumenta assim a responsabilidade individual para com o outro que partilha de forma tão generosa.

Por ser uma acção individual, livre e gratuita, responsabiliza. O compromisso para com o outro é maior, porque assente exclusivamente na reciprocidade. É esta a essência da ética da gratuitidade: a de me respeitar a mim mesmo através do outro!



Referências

Revolutionary Wealth, Toffler & Toffler, 2006

Economia Civil, Bruni e Zamagni, 2004

The Transition Handbook, Rob Hopkins, 2008

The Great Transition, New Economic Foundation, 2011

Social Business, Muhammad Yunus, 2010

Free, Chris Anderson, 2009

MOVIMENTO manifesto, www.movimentomanifesto.net, 2011