sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Breves notas sobre emprego (enciclopédia 5)

Inspirado pela Enciclopédia 1, 2 e 3 do Gonçalo M. Tavares, Breves notas sobre, respectivamente, Ciência, Medo e Ligações, escrevo estas breves notas sobre 'emprego', depois de ter feito sobre a propriedade (enciclopédia 4).

Enciclopédia 5
Breves notas sobre emprego


Emprego
É criado por alguém ou por algo. Termina quando alguém ou algo decide.
É um título de propriedade: procuro empregado para este meu emprego, que meu empregado será - uma mercadoria. Cedência da liberdade.
Em troca, 10 moedas de ouro. O valor social do emprego. O valor que é socialmente aceite.


Proprietário
O emprego tem dono; ele cria o emprego e depois dá alguém. O outro recebe o emprego e usa-o.
O emprego é uma propriedade. Quando tenho um emprego, tenho um dono. Sou sua propriedade: o 'meu' empregado. Ele pode acabar com o emprego.


Propriedade
Em Prego. Ter emprego é ter um prego (um ou mais). Antes fosse uma libertação. Quem prega o prego ? O dono do emprego ? O que recebe o emprego ? O que só pode aceitar o emprego. Não o cria. Não o acaba. Ter emprego, é ser empregado de alguém ou de algo.


Desemprego
Des Emprego. Reforço o estar em Prego. É o estado após o emprego. Se escolhi ter emprego, escolho também ser desempregado. E fico mais pregado ainda. Pregado ao que fui e ao que fiz para o dono do emprego. Pregado pelo estilo de vida que o dono do emprego me proporcionou, pelo sal que me concedeu. Pregado nos meus hábitos. Pregado nas minhas histórias. No meu pensamento e nas minhas emoções.


Valor
O que é digno de emprego. O que é socialmente aceite como merecedor de sal.

Tem valor uma pesquisa no Google. Tem valor um carro de plástico, brinquedo chinês. Tem valor uma maça com químicos. Um garrafa de água, que pode ser devolvida, a garrafa de plástico, ao mar. Tem valor o petróleo que se queima. A corrupção. A droga.

Não tem valor o criar um filho. Não tem valor o cuidar do pai idoso ou doente. Não tem valor a limpeza da floresta. A bondade. O amor.


Economia
O que gera valor.
O que atribui o valor ao emprego.
O que atribui o emprego.
A gestão da propriedade.



'Comuns' acabam com a pobreza

O filofoso alemão Martin Heidegger definiu o conceito de 'transparência'; em termos simples é uma maneira de viver em que não temos consciência da nossa ação, esta é-nos transparente. É como ir a conduzir um carro de um ponto A para um ponto B e, quando chegamos não nos lembramos se os semáforos estavam vermelho ou não, se as luzes estavam acesas, se as laranjeiras estavam em flor ou outro aspecto do percurso. A maioria dos humanos passa pela vida de forma transparente. Todos os dias passamos ao lado da pobreza, mas esta é transparente nas nossas vidas.

A pergunta é como podemos acabar com as transparência, e trazer a consciência o que nos rodeia, por forma a podermos observar, conversar, pensar e agir de forma diferente ?

Um resposta é, pela negativa: haja crise - quando a pessoa perde o emprego, acaba-se a transparência e a pobreza passa a ser uma possibilidade; acaba-se a transparência. Comete-se um crime, ou outra ação que quebre a transparência pela negativa e torne a pobreza uma realidade para cada um de nós. A negativa não gera energia, gera medo. Tipicamente faz com que a quebra de transparência ocorra quando já é tarde.

Há maneira de fazer pela positiva ? A resposta é afirmativa, mas teremos a vontade ? Conseguiremos perceber que o facto de não sairmos da transparência sobre a pobreza, não sendo digno de uma sociedade humana também não é 'útil' para um pragmático, dado que com cada vez mais pobres o resultado será inevitável: veja-se o que se passou na 1ª metade do século XX na Europa.

Precisamos de pensar em formas positivas de quebrar a nossa transparência sobre a pobreza:

- Fazer greve geral para acabar com a pobreza, em que cada pessoa, nesse dia não vai trabalhar, mas vai a procura de outras pessoas pobres e ajuda, aprendendo o que é ser pobre e o que esta a gerar a pobreza; fazemos um dia de greve por semana até acabar a pobreza

- Passamos a trabalhar meio dia; o outro meio dia vamos combater a pobreza; projecto para todos, até acabar a pobreza; cada um usa a sua arte, nesse sentido

Já imaginaram o que resultaria dum projecto destes ? Todos iam para a rua aprender, observar, qual projecto de design thinking. Todos seriam transformados. E o que seria a energia resultante de acabar a probreza ? Haveria coisa que não se conseguisse fazer ? Haverá coisa mais nobre numa sociedade ?

Este poderia ser um projecto para Nós, os comuns (We, the commons), que anuncia-se ao Mundo uma alternativa de organização e ação humana. São as minhas crenças.

Fome e Pobreza

Vejo muitas vezes, de forma vulgar, pobreza e fome serem usados como se fossem sinónimos. E não são. O que as separa faz toda a diferença.

'Fome' é uma condição da vida biológica. A vida para ser mantida necessita de energia. A alimentação fornece essa energia sobre a forma de alimento. Enquanto houver vida, haverá fome. Nas sociedades primitivas, quando a humanidade era recoletora, a fome fazia parte do dia-a-dia, daqui que a natureza criou muitas maneiras de viver com a fome, como é o exemplo a acumulação de energia sobre a forma de gordura. No presente, na sociedade da abundância, a fome é um marcador, indica que os níveis de energia necessitam ser repostos, excepto casos de doença.

'Pobreza' é uma condição da vida humana, em particular da vida humana tal qual foi construída até ao presente. Ser pobre é não ter os meios necessários para aceder os recursos necessários a existência da vida. É ter 'fome' e não ter com que saciá-la ou fazê-lo em formas muito deficientes. É não ter água com a mínima qualidade para a vida. É ter frio e não ter com que se aquecer. É não ter abrigo digno. É não ter cuidados de saúde mínimos. É não ter acesso a as condições básicas da vida, as que permitem a existência. A pobreza não existia nas sociedades primitivas. É uma criação da vida em grandes comunidades e resulta de um conjunto de factores como a excessiva especialização, falta de acesso à cultura e educação, perca dos sabes básicos sobre plantas e seus usos, caça, pesca, agricultura, pecuária, introdução do conceito de propriedade (ver  Breves notas sobre propriedade (enciclopédia 4)), entre muitos outros.

A fome é uma condição da biologia. A pobreza uma construção humana, um resultado da construção da sociedade e da sua economia (gestão dos recursos da sociedade).
Se a probreza é uma construção humana, o que nos falta fazer para desfazer esta construção ? Como podemos desconstruí-la ?
Diz-se que é um resultado da economia, uma externalidade. Sendo a economia uma construção humana, para que construir uma economia que provoca a pobreza, i.e. a constroi, fabrica ou outra metáfora que sintam representar melhor o facto da pobreza ser resultado da vontade humana ?

É tempo de construirmos uma economia que tenha como escolha não haver pobreza. Este é um projecto para nos envolver a todos. O que pode haver de mais digno, que não seja, cuidar que outro humano não tenha fome, tenha abrigo, saúde, tenha a segurança necessária para poder florescer. É o que queremos para os nossos filhos. Temos que conseguir garantir que todos os humanos tem forma de conseguir isso, de acordo com o seu contexto de vida.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Alguns livros sobre 'conversas' e 'formas de conversar'

Muitas formas de conversar

Conversas comigo próprio
Conversas a dois
Conversas em situação de conflito
Conversas para partilhar conhecimento
Conversas para agir (motivação e compromisso)
Conversas para pensar (soluções critativas)
Conversas para decidir
Conversas para explorar novo conhecimento

Conversas a partir do que funciona bem
Conversas sobre o futuro que emerge
Conversas para desenvolver projectos de sucesso

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nós, os comuns (We, the commons)

'Nós, os comuns' é um programa de transformação pacífica da sociedade humana e das suas formas de organização, por evolução generalizada da consciência humana e consequente revisão de conceitos socialmente construídos como é o caso da 'propriedade', 'dinheiro'. 'representação', 'cidadania', 'país'.

Este programa tem dois princípios:
- Não temos conhecimento, individual e colectivo para lidar com a situação actual do planeta Terra
- Cada um de nós, e todos nós, colaborando, vamos conseguir criar novo conhecimento e co-criar novos modelos/ conceitos de sociedade

E tem uma certeza:
- Não há certezas, pelo que temos que ser humildes, experimentar e não assumir verdades universais; o que funciona num contexto poderá não funcionar noutro; não podemos deixar que um conjunto de poucos possa tomar decisões pela totalidade.

Este é um programa para o nosso século. É um programa que já esta em marcha, de forma emergente, mediado pela Internet. É um programa que importa tornar visível, consciente e devolver o desenho e a intenção aos 'commons'.

* Ética dos comuns (commons ethics)
Veja-se a ética da permacultura
A do Leonardo Boff
A do Edgar Morin
A do H. Jonas

* Política dos comuns (commons politics)
União Europeia (protótipo da governação do Planeta Terra)
Felicidade e sustentabilidade no Butão
Informação e a constituição Islandesa
Cidadania da Terra na Bolivia

* Propriedade dos comuns (commons ownership)
creative commons
commons goods

* Economia dos comuns (commons economics)
Open Source
Collaborative consumption
Crowd funding
Microcrédito
Micro assurance
glocal
entrepreneurship

Esta transformação necessita de um particular estilo de liderança, uma liderança que serve, que facilita, que nutre, o desenvolvimento humano, a co-criação, a inteligência colectiva, a emergência. Uma liderença que estabelece um balanço entre o o bem estar individual, e o bem estar colectivo, que permite que todos os seres se 'cumpram', como defendia Agostinho da Silva.